O “quem das coisas”

agência e ontologia da paisagem em Guimarães Rosa

Autores

  • Gabriel Túlio de Oliveira Barbosa Universidade Federal do Tocantins

DOI:

https://doi.org/10.17851/2358-9787.31.1.82-99

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, espaço e literatura, ficção, geografia, ontologia da paisagem

Resumo

Este artigo discorre sobre alguns dos aspectos referentes aos entrelaçamentos entre literatura e espaço e/ou texto e paisagem na obra de João Guimarães Rosa. A chave analítica que empreendemos visa compreender como as formas de escrita rosiana são mobilizadas para deslocar a perspectiva ficcional, escolhendo ver e escutar o mundo a partir de outros pontos de vista, humanos e não-humanos. Propõe-se, assim, apreender e discutir as maneiras como os perfis orográficos de serras, morros e cavernas organizam de forma particular as ações ficcionais e a composição narrativa em “O recado do morro”, enquanto elemento central para o deslanche do enredo e de seus personagens. Em um segundo momento, como digressão final e complementar às questões levantadas, evidencia-se ainda as correspondências entre os afloramentos minerais da Serra do Espinhaço e os “segredos” de Diadorim em Grande sertão: veredas.

Referências

COELHO, Érico. “Orografia cenográfica (um mapa)”: a música das montanhas em Corpo de baile, de João Guimarães Rosa. O eixo e a roda: v. 23, n. 2, Belo Horizonte, 2014.

COELHO, Érico. Rumo a rumo de lá: atlas fotográfico de Corpo de Baile, 2011. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humana, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

ESCHWEGE, W.L. Von. Quadro Geognóstico do Brasil e a provável rocha matriz dos diamantes. Geonomos, 13 (1,2): 97-109. 2005

HANSEN. João Adolfo. A imaginação e o paradoxo. Floema - Ano II, n. 3, p. 103-108, jan./jun. 2006.

HANSEN, João Adolfo. Forma literária e crítica da lógica racionalista em Guimarães Rosa. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 47, n. 2, p. 120-130, abr. / jun. 2012.

GOETHE, Johann Wolfgang von. Viagem à Itália. Tradução de Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

GONTIJO, Bernardo. Uma geografia para a Cadeia do Espinhaço. In: Megadiversidade, Volume 4, nº 1-2, p. 7-15, 2008.

MACHADO, Ana Maria. Recado do nome: leitura de Guimarães Rosa à luz do nome de seus personagens. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.

MARTINS, Nilce Sant’anna Martins. O léxico de Guimarães Rosa. – 3. Ed. Revista – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.

PRADO JUNIOR, Bento. O destino decifrado: linguagem e existência em Guimarães Rosa. In: Alguns ensaios: filosofia, literatura, psicanalise. São Paulo: M. Limonad, 1985.

ROSA, João Guimarães. Corpo de baile. Ed. comemorativa 50 anos (1956-2006). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. 2 v.

ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. – 19. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

ROSA, João Guimarães. João Guimarães Rosa: correspondência com seu tradutor italiano EdoardoBizzarri. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

SAADI, A.. A geomorfologia da Serra do Espinhaço em Minas Gerais e de suas margens. Geonomos 3 (1): 41-63, 1995.

SANTOS, Douglas. A reinvenção do espaço: diálogos em torno da construção do significado de uma categoria. São Paulo: Ed. Unesp, 2002

TONDINELI, Patrícia Goulart. Viagem pelo sertão rosiano: estudo toponímico de grande sertão: veredas. Anais do SILEL. Volume 3, Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2013.

VALADÃO, Roberto; SILVEIRA, José. ‘Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura’ – as migrações da água sob nossos pés. Revista UFMG, Belo Horizonte, v. 25, n. 1 e 2, p. 16-39, jan./dez. 2018.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Encontros (entrevistas). Rio de Janeiro: Azougue, 2007.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas Canibais: elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2015

WISNIK, José Miguel. Recado da viagem. Scripta, Belo Horizonte, v. 02, n.3, p. 160-170, 1998.

Downloads

Publicado

2024-04-23

Edição

Seção

Sumário